quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Mov. Estudantil como Mov. Social
Lutar por uma educação pública de verdade, e nesse sentido, por uma universidade ocupada pela população excluída, que produza seu próprio conhecimento livre de interesses de mercado, é tão importante nos dias de hoje, quanto lutar pelo direito de acesso universal a terra, à saúde, à cidade.
Hoje, os movimentos sociais que lutam por direitos básicos, negados pelo sistema capitalista, são um dos maiores agentes da luta de classes no Brasil e no mundo. O Movimento Estudantil, como movimento social da educação, deve se aliar ombro a ombro com outros movimentos sociais que combatem outros efeitos perversos do mesmo sistema. A luta contra os muros que cercam a universidade pública excluindo a população é, em grande medida, a mesma luta contra as cercas do latifúndio.
O mecanismo geral que priva as pessoas do acesso a esses direitos, como a terra e a educação, é garantido pelos mesmos poderes e pelo mesmo sistema. São problemas coletivos que prejudicam toda a população e por isso devemos resolvê-los coletivamente.
O neoliberalismo tem como princípio a defesa absoluta do mercado, em detrimento de qualquer direito social e humano. Hoje, tudo o que é público e já teve qualidade sofre descaso dos governos: é só perceber o sucateamento profundo do sistema público de saúde, a precarização crescente da escola pública, o aumento das tarifas do transporte “público” que continuam de péssima qualidade. Outros direitos de todos, como a moradia e a terra, não são garantidos para os mais pobres. O público e o privado ficam cada vez mais misturados, por políticas que priorizam o privado, ou seja, o lucro. O sistema capitalista não prioriza o ser humano e suas diversas potencialidades; em vez disso mantém uma classe privilegiada de pessoas na abundância e no poder.
A educação pública deveria ser direito igual de todos. Porém, é um setor cada vez mais ignorado pelos governos, sofrendo sucateamento e precarização. A educação particular acaba virando política de governo, ao invés da valorização daquilo que é público: assim, a população paga duas vezes por um direito que não é garantido pelo Estado
O Romper o Dia! é um grupo de estudantes que atua na defesa de uma universidade que seja popular, autônoma e que produza conhecimento crítico e emancipador.
Conheça o Romper o Dia! na oficina de apresentação do campo na Calourada Unificada da USP, dia 28/02, prédio da História e Geografia às 16:00.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Manifesto ao alvorecer
Devagar mulheres e homens anoitecem.
Nas ruas o imperativo
É tudo. Violência.
Exceção permanente.
Sabemos.
Há desesperança aos montes
Aos morros e celas e casas.
Difunde-se o argumento único
E o discurso é o do silêncio.
Sabemos.
A miséria e o vendaval desta madrugada
São manchetes exultantes das capas de revista.
Muitos dos que caminhavam na contracorrente
Foram derrubados.
Também sabemos.
Entretanto, ainda que os versos não sejam livres,
Nem previsto o verdadeiro carnaval,
Não foi sempre assim
E não será sempre assim.
Disso tudo sabemos.
Pois ouçam.
Longe, ao fundo.
Os insultos dos insistentes.
Despertos.
De prontidão.
Serão maiores.
Bandeiras desfraldadas
Milhares
Milhares
Músicas
Voz
E uma marcha em execução
: Romper o dia e anunciar a primavera!
Nas ruas o imperativo
É tudo. Violência.
Exceção permanente.
Sabemos.
Há desesperança aos montes
Aos morros e celas e casas.
Difunde-se o argumento único
E o discurso é o do silêncio.
Sabemos.
A miséria e o vendaval desta madrugada
São manchetes exultantes das capas de revista.
Muitos dos que caminhavam na contracorrente
Foram derrubados.
Também sabemos.
Entretanto, ainda que os versos não sejam livres,
Nem previsto o verdadeiro carnaval,
Não foi sempre assim
E não será sempre assim.
Disso tudo sabemos.
Pois ouçam.
Longe, ao fundo.
Os insultos dos insistentes.
Despertos.
De prontidão.
Serão maiores.
Bandeiras desfraldadas
Milhares
Milhares
Músicas
Voz
E uma marcha em execução
: Romper o dia e anunciar a primavera!
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